quarta-feira, 7 de maio de 2025

TERÇA-FEIRA NO PARQUE SANTO ANTÔNIO

Vários dias que não comia

Na dispensa nada tinha

Vivia do wi-fi emprestado pela vizinha 

A quem chamava de tia

Há dias não a via 

Será que também padece? 

(Taí alguém que não merece)

Na net a gente esquece

Espairece o sofrimento 

Virtualmente, as coisas são boas

Se ao menos o INSS desse geferimento

Ao  pedido de LOAS

Vendia o ferro de passar roupa, o dvd 

Prancheta, o ouriço de fazer o black 

(Já dava pra comprar um back)

Vendia o som 3 em 1

(Disco nenhum!)

Tinha outro celular na fita, tela trincada

As cartelas de remédios acabando

Os campana da biqueira avisando:

(Tá foda Djhow!)

A fatura chegou, O futuro acabou

No desespero

Apontando a marmita fria de comida sem tempero

Ofereceu (meu...), o violão 

Já não bastava não ter o que comer 

Ter fogão 

E não poder acender

Depois que acaba o gás 

Do botijão

O isqueiro tá só a pedra (também sem gás!)

Nem uma bagana perdida pelo chão 

Caso ache (de praxe!) não vai poder acender maisss

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