quarta-feira, 7 de maio de 2025

A MORADA DE UM ZÉ NINGUÉM

 

Ao cronista dos infortúnios, Lucas Evangelista

 

A tramela trancada, uma telha quebrada

O reboco ruiu

A furquilha lascada

Parede trincada

O alpendre caiu

A mesa virada

Dispensa escorada

O espelho sumiu

Imagem apagada

A palavra calada

Como que nunca existiu

Já é madrugada, não tem alvorada 

Felicidade partiu

 

Nada tem, nada vai, nada vem

Quem ficou que fique sem

Triste do dia que houve alguém

Tudo destruído, nada mais além

Onde não há porque não tem

Nesse fracasso procura por quem

Perdido até o horário do trem

Atordoado também

Não cabe mas, nem porém

Dentro do peito nada contém

O que sobra não convém 

Nem pra si nem pra outrem

O que tinha não se tem

Já não há quem lhe queira bem

A casa é morada de um Zé Ninguém


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A FAVELA VENCEU

A favela é uma flor Que o sol quente cultiva Uma companheira antiga De infortúnio sertanejo Precisa ter molejo de suportar o desgosto ...