quarta-feira, 7 de maio de 2025

ESTRADA DO DESAGUAR

 

Pra Walter Guerra

Seguindo a estrada do desaguar

Só quem já não mais vai voltar

Deixou seus passos na areia da água 

Represada de tanta mágoa

Carrancismo de pirraça

O que não foi forjado na raça

Se evaporou, virou fumaça

A bordo de um comboio de cometas

Combo que explode pedras

Com a força de 77 mil marretas

Estridentes que nem as trombetas

Da Serra do Tombador

Vento assovia na ribanceira

Zanza na Macaqueira

E o som da carranca na raiz do maracujá

Enramado na sombra do Jatobá

Casca na cana caiana

Colher-de-pau, pilão de umburana

Mandacarú de facho

Cascavel de rodilha na toiceira

Descendo rio abaixo

Na curva do Roncador

Lajedão do Riacho

Fazendo currião, arreio e percata

Curtindo o couro cru da vida ingrata

Chinelo de dedo

Pisando o espinho da caatinga

carregando garotos sem medo 

Meu amigo, nunca mais

O mundo lhe foi pesado

A vida não lhe trouxe paz

8, 9 amigos que te choram

E ninguém mais

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